Nosso Cantinho O IMPACTO 09.03.2013 Maurinho Adorno
Morre Huguinho.
Zezinho e Luizinho choram
Huguinho, Zezinho e Luizinho sempre foram muito unidos nas
brincadeiras. Nas enrascadas do Pato Donald e do Tio Patinhas eram os
três que pagavam o pato para tirar os dois de situações difíceis. Eles
eram muito admirados por toda a população da cidade americana de
Patópolis. Com o tempo, já em plena juventude, começaram a conhecer
melhor a personalidade do tio e do avô: Donald era muito parado e Tio
Patinhas, muito avarento, vivia sempre pensando em ganhar mais dinheiro:
era um típico imperialista americano, como dizem os avessos ao livre
capitalismo.
Com o tempo, os três começaram a sentir uma verdadeira
obsessão pela política e pelo poder. Huguinho tinha liderança nata,
convencia a todos e sempre lutava pelos mais pobres. Zezinho se revelou,
além de um amante pelo poder, um grande coronelista, daqueles que não
medem esforços para conquistar altos cargos. Já Luizinho era astuto.
Também sabia conquistar as massas e era ardiloso como as mais hábeis
raposas. Em dado momento, perceberam que Patópolis não iria oferecer as
bases para seus objetivos. Os habitantes eram inteligentes e,
principalmente, ímpares em cultura, difíceis de ser manipulados.
Resolveram partir.
Com o “mapa mundi” às mãos, estudaram por meses
diversos países. Concluíram que deveriam residir em locais onde o povo
pobre fosse maioria e com pouca cultura. Seria fácil manipular. Huguinho
optou pela Venezuela, país rico em petróleo e de população pobre. Na
medida certa. Ao chegar a Caracas, seu primeiro passo foi estudar a vida
de Simon Bolívar, um líder muito respeitado pelo povo. Esperto, ao
invés de se submeter ao subemprego, alistou-se no Exército, pois sabia
que era a forma exata de chegar ao poder e colocar seus sonhos em
prática. “O povo gosta de homens fardados”, pensou.
Zezinho apostou
no Brasil. Escolheu o estado do Maranhão. Era um local estratégico,
pois rapidamente poderia dominar politicamente todo o norte e o nordeste
brasileiro. Estudou Direito, aprimorou sua oratória como forma de
convencer as pessoas, e entrou para a política. Sabia que um dia seria
um dos coronéis, daqueles que conseguem tudo. Aprendeu que era preciso,
além de ter status social, saber articular, manobrar, manipular e,
principalmente, alcançar altos cargos públicos. E, é lógico, ficar
sempre ao lado dos que tivessem poder, seja nos governos ou em empresas
estatais.
Luizinho escolheu em Pernambuco uma pequena cidade, com
pobreza acima da média. Mas, esperto, rapidamente mudou-se para São
Bernardo do Campo, onde as empresas automobilísticas cresciam
assustadoramente e a cada ano aumentavam em milhares os seus
metalúrgicos. Entrou para o sindicato da categoria e em pouco tempo
falava para multidões de trabalhadores. Assim como seus irmãos, resolveu
entrar para a política, onde iria conquistar o poder. Limitadíssimo em
todos os sentidos – exceto no quesito astúcia – perdeu inúmeras
eleições.
O militar Huguinho chegou ao poder, depois de muito
lero-lero e de luta armada. Falou aos pobres, deu-lhes migalhas e os
conquistou. Teve sorte, o petróleo subia assustadoramente de preço no
mercado internacional e ele gastava os recursos com os pobres, não só de
seu país, mas das nações da redondeza, onde pretendia implantar sua
República Bolivariana. Era esperto demais. Prometeu ao seu irmão
Luizinho construir uma refinaria de petróleo no Brasil, mas o traiu,
pois não honrou a primeira parcela.
Rapidamente Zezinho chegou ao
poder. Foi eleito deputado, senador, governador e conquistou a
presidência da República, não por méritos próprios, mas sim, beneficiado
pela morte do titular. Era vice. Virou a casaca na política por algumas
vezes para acomodar seus filhos na política e arrumar empregos a
familiares e cabos eleitorais. Zezinho tinha muita habilidade política e
extrema capacidade de convencimento, a ponto de se candidatar e se
tornar senador por um estado vizinho, o Amapá.
Depois de diversas
derrotas, Luizinho conquistou a presidência da República. Apostou nos
pobres e oprimidos. Sua receita: o clientelismo. Inventou bolsa para
tudo. Em seu governo surgiu até o chamado “Bolsa Mensalão”, um saco sem
fundos, destinado a arrecadar dinheiro para cooptar deputados e atingir o
objetivo do partido: a perpetuidade no poder. Mesmo sendo arrogante,
conseguiu conquistar as bases. Emplacou a primeira mulher presidente do
país. E, garanhão que passou por Garanhuns, emplacou também a Rose.
Sempre com ótima convivência com o Huguinho e o Zezinho.
Nesta
semana, o Huguinho faleceu. Zezinho e Luizinho estão tristes. O trio de
patetas não existe mais. Restaram ainda dois. Ou melhor: 222,8 milhões
de patetas espalhados pelo Brasil e pela Venezuela.
Maurinho Adorno é jornalista.
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